Lugares Incríveis

As Cinque Terre eram apenas vilarejos de pescadores até serem descobertas pelos turistas e virarem um parque nacional. Estão na lista do Patrimônio Mundial da Unesco desde 1997. Suspensas em penhascos que terminam no mar, esses vilarejos estão interligados por trilhas ecológicas que podem ser percorridas a pé, ou ainda de barco ou trem.

Como essas cinco cidades são pequenas e estão enfileiradas uma bem ao lado da outra, é razoavelmente fácil conhecê-las em uma tacada só. Porém, não adianta querer ir de carro: o acesso é difícil e os poucos estacionamentos ficam fora dos vilarejos. O ideal é passar 2 noites e ter 1 dia inteiro para explorar bem a região.

Deixe seu carro estacionado na cidade de La Spezia, ponto de partida do passeio. Lá, é possível pegar um barco ou começar o trajeto por trem.

De Barco

Entre abril e outubro, os barcos saem da marina de La Spezia rumo a quatro dos cinco vilarejos: Riomaggiore, Manarola, Vernazza e Monterosso. Apenas Corniglia não pode ser acessada de barco.

São duas opções de bilhetes. O primeiro é válido para o dia inteiro e permite que você suba e desça dos barcos quantas vezes quiser. O segundo, mais barato, permite que você desça somente em um vilarejo e fique lá por apenas uma hora.

A grande vantagem do passeio de barco é ter o impacto de ver os vilarejos de longe o que é muito mais bonito.

Procure no centro o píer onde atracam os barcos do Consorzio Maritimo 5 Terre. O barco faz a rota Monterosso-Vernazza-Manarola-Riomaggiore-Portovenere (e volta).

O percurso marítimo é muitíssimo mais bonito do que as trilhas e incomparavelmente mais agradável.

De Trem

O trem é a opção mais econômica e a única que permite visitar todas as Cinque Terre, mas não é um passeio bonito em si, já que a maior parte do tempo não se tem a vista do mar.

Durante todo o ano, o Cinque Terre Card Train dá acesso ilimitado à linha de trem que liga a estação central de La Spezia a cada um dos cinco vilarejos. Válido para o dia inteiro, o bilhete especial pode ser comprado na hora e dá também acesso aos banheiros públicos e aos ônibus que levam das estações até os centrinhos.

O 5 Terre Card que dá direito a percorrer as trilhas do Sentiero Azzurro (incluindo a Via dell’Amore) e também permite usar o serviço de ônibus interno do parque (uma mão na roda para ir da estação de Corniglia até a cidade, que a pé fica 365 graus morro acima).

Atenção: sempre confira os horários dos trens, prestando atenção às estações em que param. Veja horários no site da Trenitalia (consulte sempre para a mesma semana).

A Pé

As pequenas vilas de Monterosso al Mare, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore são conectadas entre si por trilhas. A maioria dos visitantes chega de trem e se limita a conhecer as praias e o centro, mas uma das melhores formas de conhecer essa jóia na costa italiana é percorrendo as trilhas que ligam as vilas, passando pela zona rural dos vilarejos em meio a campos centenários de videiras e oliveiras – o cultivo de uva e oliva é bem tradicional na região, assim como a produção de vinho. O terreno é marcado por terraços, técnica para conseguir utilizar o solo em meio ao ambiente acidentado.

Existem diversas trilhas que conectam os vilarejos. A travessia mais popular e mais fácil é conhecida como Sentiero Azzurro – Trilha Azul – e liga Monterosso a Riomaggiore. O trajeto de 12km pode ser percorrido em cerca de 6 horas. Porém parte dessa trilha está fechada desde 2016. O trecho entre Corniglia, Manarola e Riomaggiore sofreu com desmoronamentos e está interditado por tempo indeterminado. A Via dell’Amore, que conecta Manarola a Riomaggiore, é considerado um dos trechos mais bonitos do Sentiero Azzurro, porém está interditada com previsão de abertura somente em 2021!

A solução para essa parte é passar por trilhas alternativas. Esses trechos estão bem demarcados e sinalizados. Você encontra placas nos vilarejos apontando a direção correta.

O Que Ver

De maneira geral, os cinco vilarejos são bem parecidos e pode ser que você ache desnecessário parar em todos. Espere encontrar ruas estreitas, casinhas coloridas que parecem se amontoar uma sobre as outras e muitas roupas penduradas, no maior clichê italiano. Além disso, com exceção de Corniglia, todas possuem praias de pedra. Também estão sempre presentes as lojinhas de souvenir (que vendem especialidades locais como o famoso molho pesto e balas e licores de limão) e restaurantes cuja especialidade são os frutos do mar.

Monterosso: localizado em um pequeno golfo natural na parte mais ocidental das Cinco Terras, é o local mais povoado da Cinque Terre e o vilarejo mais espalhado dos cinco, graças à larga praia de areia que se estende da estação até o centrinho. É a melhor praia da região e caso tenha um dia sobrando é um bom local para descansar à beira-mar.

Vernazza: localizado ao norte das Cinque Terre, é um povoado marinheiro onde as antigas casas coloridas se amontoam em surpreendentes falésias. Conta com um belo porto natural, um antigo castelo e uma encantadora igreja junto ao mar.

Corniglia: é a Terre do meio: são duas pra lá, duas pra cá. Assentada sobre um cabo de 100 metros de altura formado por rochas, Corniglia é o povoado mais elevado da região e está rodeado por uma majestosa paisagem de vinhedos e olivedos. Essa é a única das Cinque Terre que não pode ser acessada pelo mar, somente de trem. Isso faz com que ela seja menos movimentada e, de certa forma, mais charmosa.

Manarola: é o mais antigo povoado de Cinque Terre e, embora receba uma grande quantidade de turistas, ainda conserva a pesca e a viticultura como os pilares básicos de sua economia. Manarola é pequena, porém íngreme. Na praça principal, no alto, você encontra a igreja de San Lorenzo, que é de 1338.

Via dell’Amore

A Via dell’Amore é praticamente uma avenida costeira para pedestres. Daria para ser percorrida em 20 minutos, mas leva mais tempo porque você vai querer tirar muitas fotos — das duas cidadezinhas, dos penhascos, e sobretudo dos inúmeros cadeados deixados por lá por casaizinhos in love.  A origem do caminho é interessante: foi construído nos anos 20 como uma via auxiliar de segurança para obras de ampliação da galeria ferroviária entre as duas vilas. Terminada a obra, o caminho permaneceu e começou a ser usado pelos moradores. O calçadão termina exatamente sobre a estação de trem de Riomaggiore.

Riomaggiore: é um tranquilo povoado de pescadores, onde é um autêntico prazer se perder pelas ruelas coloridas e íngremes. A cidadezinha se esconde para lá da estação e é adorável, espremidinha na montanha, com escadarias, vielas cobertas e o portinho mais pitoresco das Terre.

Portovenere: Freqüentemente descrita como “a sexta Terre”, Portovenere é uma cidade medieval que floresceu em torno de um castelo que hoje funciona como museu de arte contemporânea. Com apenas quatro mil habitantes é bem menos visitada do que as Cinque Terre e por isso mais sossegada. Bom local para se hospedar e usar como base para conhecer a região. É uma boa alternativa para quem quer mais conforto do que o oferecido pelas cinco cidadezinhas, mas não está a fim de encarar La Spezia.

Como ir pra Portovenere saindo de La Spezia?

Você tem duas opções de transporte público: de ônibus ou de barco. Os ônibus saem da região central em média a cada meia hora. Alguns dos pontos principais ficam perto da Piazza Camilo di Cavour (ao lado do Mercato Ortofrutticolo) e também na Viale Giusepe Garibaldi. A viagem dura em média 30min e os veículos podem estar cheios nos horários mais movimentados.

Levando em conta que se você esteja em alguma das Cinque Terre e queira ir a Portovenere a melhor opção acaba sendo os barcos, que passam nessas cidades e terminam o roteiro por lá.

Volte a La Spezia para pegar o seu carro e seguir viagem até Portovenere, apelidada de “a sexta Cinque Terre”. Bem turística, a cidade fica a apenas 20 minutos e o caminho passa por uma estrada tortuosa à beira-mar que é simplesmente imperdível.

Chegando lá, também será difícil não se encantar pelo bonito calçadão, pelo centro cheio de bares e restaurantes e, principalmente, pelo castelo cujo muro termina direto no mar. Coisa de filme mesmo. Se puder, durma por lá.

Grand Hotel Portovenere – www.grandhotelportovenere

É um daqueles lugares únicos onde a engenharia do homem se junta com a natureza. Vale a pena conhecer mesmo que tenha que fazer um desvio do roteiro clássico da Andaluzia.

Construído entre 1901 e 1905, o Caminito del Rey era um caminho aberto em meio a um enorme desfiladeiro que permitia a passagem de operários para a construção de uma hidrelétrica na região, a La Sociedad Hidroeléctrica del Chorro.

Em 1921, o rei Alfonso XIII, na inauguração  hidrelétrica,  percorreu todo o caminho construído nas montanhas. A partir daí, a trilha passou a se chamar Caminito del Rey e virou alvo de curiosos e aventureiros de todo o mundo.

Ao longo dos anos, o caminho foi se deteriorando por falta de manutenção. Ainda assim, apaixonados por esportes radicais eram atraídos ao local tanto por sua beleza exuberante, quanto pela adrenalina de caminhar em um ambiente inseguro e cavado nas montanhas. Por muitos anos a trilha foi considerada uma das mais perigosas do mundo.

Em 2015, após uma série de reformas, o Caminito del Rey foi finalmente aberto ao público, e, apesar da altura, a caminhada é bem tranquila. As passarelas são de madeira e existem protetores seguros porém, como o caminho está a mais de 100 metros acima do solo, algumas pessoas podem ficar apreensivas. Se esse for o seu caso, preste atenção: uma vez que você começou a caminhada, você não pode voltar.  São 8 km, a maioria numa leve descida.

Existe a opção de reservar uma visita guiada. O guia estará com você durante toda a caminhada dando informações sobre a história do lugar.

Um excelente bate e volta de Málaga, a cerca de 1h de carro.

Atenção: Reserve o Caminito del Rey com muita antecedência pelo site oficial  e se possível num dia de semana que é mais vazio. Faça logo depois de comprar sua passagem aérea, pois há pouca disponibilidade. Se não for possível fazê-lo por conta, pegue uma excursão com uma das várias agências que fazem o passeio como a Julia Travel, que cobra 42 €. É a opção mais cômoda, pois pega-se o ônibus na praça central de Málaga e já está tudo incluído.

Leve água e um lanche, pois não há pontos de venda no caminho.

A Pérsia foi um dos maiores impérios do mundo, maior ainda do que o colossal Império Romano. Situava-se a leste da Mesopotâmia, num extenso planalto onde hoje está o Irã,  entre o golfo Pérsico e o mar Cáspio.

Os persas foram nômades e vassalos de outros povos por milhares de anos até que em 559 a.C. foram unificados sob a liderança de Ciro, o Grande, passando rapidamente a ser uma forte civilização da região.

Foram conquistando os povos que viviam nas proximidades do planalto, impondo a todos a mesma administração. Os povos dominados pelos persas podiam conservar seus costumes, suas leis, sua religião e sua língua. Era concedida uma certa autonomia para as classes altas, que governavam as regiões dominadas pelos persas, mas exigia-se em troca, o pagamento de tributos e homens para servir o exército persa.

Os descendentes de Ciro ampliaram a vastidão do território persa, não deixando de lado a evolução cultural de sua sociedade. Sua cultura, opulência e sofisticação, assim como seus exércitos, chamaram atenção do mundo, acabando por influenciar diretamente as culturas europeias, como a greco-romana. Construíram um vasto império cujo território compreendia a Ásia Menor, a Mesopotâmia e uma parte da Ásia Central.

Dario, o Grande, organizou o império dividindo-o em províncias e nomeando pessoas de sua confiança para governá-las. Organizou um novo sistema monetário unificado, e fez do aramaico o idioma oficial. Também instituiu projetos de construção, especialmente em Susa, Pasárgada, Persépolis, Babilônia e Egito.

Para facilitar a comunicação entre as províncias, foram construídas diversas estradas, entre elas a Estrada Real. Com mais de 2 mil quilômetros de extensão, por ela passavam os correios reais, o exército e as caravanas de mercados.

A riqueza para sustentar esse enorme império era fornecida por camponeses livres, que viviam em comunidades e pagavam impostos ao imperador. Havia também o trabalho escravo, mas a maioria dos trabalhadores não pertencia a essa categoria.

A queda do Império Persa ocorreu em virtude das guerras contínuas, de sua grande expansão e da falta de controle sobre seu próprio território, e também da incapacidade politica dos sucessores de Dario I. Finalmente durante o reinado de Dario III, o império Persa acabou sob o domínio de Alexandre Magno rei macedônio Alexandre, O Grande.

Persépolis

A 60km de Shiraz está Persépolis. A cidade foi a capital do império Aquemênida e foi destruída por Alexandre, o Grande. Hoje em ruínas, é considerada patrimônio da humanidade pela UNESCO. Estima-se que a cidade tenha sido construída em meados de 500 a.C. Depois de sua destruição acabou abandonada, foi encoberta pelas areias do deserto e só foi descoberta nos anos 30, por um pesquisador francês.

Persépolis foi construída para ser uma espécie de capital das celebrações do antigo Império Persa. Era na cidade que aconteciam as grandes cerimônias, principalmente o Ano Novo.

Pela entrada principal, a Porta de Todas as Nações, chegavam caravanas de todos os povos pertencentes ao império trazendo presentes e oferendas para o imperador.

Essas cerimonias estão reproduzidas nos altos relevos que enfeitavam as paredes do palácio. É possível ver em um grande painel os 28 povos dominados por Dario I chegando ao palácio com oferendas típicas de cada região. As figuras conservam os traços que os diferenciavam entre si. É uma mostra de quão vasto era o Império Persa, que nessa época se espalhava do Egito à Índia.

Em seu esplendor, o palácio era decorado com ouro, pedras e metais preciosos. Era bem luxuoso, com pavilhões e câmaras para audiências, pilares, três tipos de quartos – para o rei, para os militares e um para todas as suas riquezas – e terraços com mais de 60 pés de altura.

Abandonada, a cidade foi coberta por areia e poeira. Em pouco lembrava seu apogeu, quando serviu de palácio de verão. Enquanto esteve “perdida”, sofreu a ação do tempo, o roubo dos saqueadores e a incúria das autoridades.

Em 1971, as ruínas de Persépolis foram palco de uma festa feita pelo xá Reza Pahlevi para convidados estrangeiros que foi o equivalente iraniano ao baile da Ilha Fiscal -símbolos de extravagância e falta de contato com a realidade. *mais sobre a festa no post: https://www.triptips.com.br/2020/05/15/o-ultimo-xa-da-persia-e-o-golestan-palace/

O que foi mantido de Persépolis é incrivelmente rico em detalhes, desde cabelos enrolados a homens com cabeça de águia, divindades persas, e as imagens mais recorrentes, o leão e o touro.

Do que ficou de pé, o portão de Xerxes é uma das atrações principais. Tem duas colunas gigantescas com seres alados, metade homem metade touro, esculpidos na pedra cuja função era escorar uma imensa porta de madeira que não existe mais.

Grande parte das esculturas são protegidas por vidros e acrílicos, então é possível ter a visão só do lado de fora, no entanto, alguns dos lugares permitem que o público possa ver mais de pertinho. A dica é subir em algum dos morros e ter uma bela visão panorâmica da antiga cidade – o pôr do sol visto de lá de cima é esplendoroso.

Próximo de Persépolis, fica a cidade de Pasárgada, imortalizada no lindo poema de Manuel Bandeira. A cidade foi fundada por Ciro, o Grande no século VI a.C. e foi a primeira capital do Império persa de Aquemênida. Assim como Persépolis, Pasárgada também foi tombada pela UNESCO como Patrimônio Cultural Mundial.

Vou-me embora pra PasárgadaDe Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcaloide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.