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Persépolis, a Cidade Encoberta Pela Areia do Deserto

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A Pérsia foi um dos maiores impérios do mundo, maior ainda do que o colossal Império Romano. Situava-se a leste da Mesopotâmia, num extenso planalto onde hoje está o Irã,  entre o golfo Pérsico e o mar Cáspio.

Os persas foram nômades e vassalos de outros povos por milhares de anos até que em 559 a.C. foram unificados sob a liderança de Ciro, o Grande, passando rapidamente a ser uma forte civilização da região.

Foram conquistando os povos que viviam nas proximidades do planalto, impondo a todos a mesma administração. Os povos dominados pelos persas podiam conservar seus costumes, suas leis, sua religião e sua língua. Era concedida uma certa autonomia para as classes altas, que governavam as regiões dominadas pelos persas, mas exigia-se em troca, o pagamento de tributos e homens para servir o exército persa.

Os descendentes de Ciro ampliaram a vastidão do território persa, não deixando de lado a evolução cultural de sua sociedade. Sua cultura, opulência e sofisticação, assim como seus exércitos, chamaram atenção do mundo, acabando por influenciar diretamente as culturas europeias, como a greco-romana. Construíram um vasto império cujo território compreendia a Ásia Menor, a Mesopotâmia e uma parte da Ásia Central.

Dario, o Grande, organizou o império dividindo-o em províncias e nomeando pessoas de sua confiança para governá-las. Organizou um novo sistema monetário unificado, e fez do aramaico o idioma oficial. Também instituiu projetos de construção, especialmente em Susa, Pasárgada, Persépolis, Babilônia e Egito.

Para facilitar a comunicação entre as províncias, foram construídas diversas estradas, entre elas a Estrada Real. Com mais de 2 mil quilômetros de extensão, por ela passavam os correios reais, o exército e as caravanas de mercados.

A riqueza para sustentar esse enorme império era fornecida por camponeses livres, que viviam em comunidades e pagavam impostos ao imperador. Havia também o trabalho escravo, mas a maioria dos trabalhadores não pertencia a essa categoria.

A queda do Império Persa ocorreu em virtude das guerras contínuas, de sua grande expansão e da falta de controle sobre seu próprio território, e também da incapacidade politica dos sucessores de Dario I. Finalmente durante o reinado de Dario III, o império Persa acabou sob o domínio de Alexandre Magno rei macedônio Alexandre, O Grande.

Persépolis

A 60km de Shiraz está Persépolis. A cidade foi a capital do império Aquemênida e foi destruída por Alexandre, o Grande. Hoje em ruínas, é considerada patrimônio da humanidade pela UNESCO. Estima-se que a cidade tenha sido construída em meados de 500 a.C. Depois de sua destruição acabou abandonada, foi encoberta pelas areias do deserto e só foi descoberta nos anos 30, por um pesquisador francês.

Persépolis foi construída para ser uma espécie de capital das celebrações do antigo Império Persa. Era na cidade que aconteciam as grandes cerimônias, principalmente o Ano Novo.

Pela entrada principal, a Porta de Todas as Nações, chegavam caravanas de todos os povos pertencentes ao império trazendo presentes e oferendas para o imperador.

Essas cerimonias estão reproduzidas nos altos relevos que enfeitavam as paredes do palácio. É possível ver em um grande painel os 28 povos dominados por Dario I chegando ao palácio com oferendas típicas de cada região. As figuras conservam os traços que os diferenciavam entre si. É uma mostra de quão vasto era o Império Persa, que nessa época se espalhava do Egito à Índia.

Em seu esplendor, o palácio era decorado com ouro, pedras e metais preciosos. Era bem luxuoso, com pavilhões e câmaras para audiências, pilares, três tipos de quartos – para o rei, para os militares e um para todas as suas riquezas – e terraços com mais de 60 pés de altura.

Abandonada, a cidade foi coberta por areia e poeira. Em pouco lembrava seu apogeu, quando serviu de palácio de verão. Enquanto esteve “perdida”, sofreu a ação do tempo, o roubo dos saqueadores e a incúria das autoridades.

Em 1971, as ruínas de Persépolis foram palco de uma festa feita pelo xá Reza Pahlevi para convidados estrangeiros que foi o equivalente iraniano ao baile da Ilha Fiscal -símbolos de extravagância e falta de contato com a realidade. *mais sobre a festa no post: https://www.triptips.com.br/2020/05/15/o-ultimo-xa-da-persia-e-o-golestan-palace/

O que foi mantido de Persépolis é incrivelmente rico em detalhes, desde cabelos enrolados a homens com cabeça de águia, divindades persas, e as imagens mais recorrentes, o leão e o touro.

Do que ficou de pé, o portão de Xerxes é uma das atrações principais. Tem duas colunas gigantescas com seres alados, metade homem metade touro, esculpidos na pedra cuja função era escorar uma imensa porta de madeira que não existe mais.

Grande parte das esculturas são protegidas por vidros e acrílicos, então é possível ter a visão só do lado de fora, no entanto, alguns dos lugares permitem que o público possa ver mais de pertinho. A dica é subir em algum dos morros e ter uma bela visão panorâmica da antiga cidade – o pôr do sol visto de lá de cima é esplendoroso.

Próximo de Persépolis, fica a cidade de Pasárgada, imortalizada no lindo poema de Manuel Bandeira. A cidade foi fundada por Ciro, o Grande no século VI a.C. e foi a primeira capital do Império persa de Aquemênida. Assim como Persépolis, Pasárgada também foi tombada pela UNESCO como Patrimônio Cultural Mundial.

Vou-me embora pra PasárgadaDe Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconsequente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcaloide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

— Lá sou amigo do rei —

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

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