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O Irã, o Xá Reza Pahlevi e o Golestan Palace

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A imagem que temos do Irã de um país triste, fechado, arrasado por guerras e terrorismo que não pode ser mais equivocada. O país é lindo e cheio de gente feliz que recebe o turista com um sorriso aberto e com muita simpatia.

Isfahan, considerada a cidade mais bonita do país, é um retrato dessa maneira alegre de viver. A praça da cidade é um dos principais cartões postais do Irã. As cúpulas das mesquitas decoram de azul o cenário.

  • Assim como as imagens dos aiatolás espalhadas por todo o país parecem vigiar os iranianos, também existe uma polícia moral que está atenta a qualquer falha de comportamento. Toda mulher, inclusive as turistas, têm que usar véu e não podem mostrar as formas do corpo. Homens não usam bermuda nem camiseta sem mangas. Só as pessoas casadas podem andar de mãos dadas ou abraçadas.
  • Os iranianos se orgulham do seu passado persa. Eles são os herdeiros de uma das histórias mais antigas e importantes da humanidade. Há 2.500 anos, o gigantesco império persa dominava o mundo. Inúmeras guerras destruíram esse poder. A Pérsia mudou de nome e há 38 anos se transformou na República Islâmica do Irã. Ali, Oriente e Ocidente se cruzam. São quase 82 milhões de pessoas que vivem na região.
  • O império persa deixou como legado belíssimos monumentos, uma rica cultura e muita riqueza. Um tesouro de verdade, que reúne as mais belas e preciosas joias e pedras preciosas que rivalizam em importância com a magnifica coleção de jóias dos czares da Russia, está guardado num bunker subterrâneo no Banco Central, em Teerã. Esse tesouro está protegido por um esquema de segurança rigoroso considerado inviolável.
  • Nesse tesouro está o diamante rosa mais valioso do mundo com 182 quilates e a espetacular coroa usada pela imperatriz Farah Diva em sua coroação. Essa coroa e o colar de esmeraldas usados por ela, foram criados especialmente para a ocasião pela Van Cleef & Arpels. Esse evento marcou uma das encomendas de maior prestígio na história da Maison. A coroa é ornada com 1.541 pedras no total, incluindo 1.469 diamantes, 36 esmeraldas, 34 rubis, 2 espinelas, 105 pérolas, entre outras pedras. Dentre todas, a mais importante é a espetacular esmeralda de 150 quilates colocada ao centro.

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Xá Reza Pahlavi, ascensão e queda

Venerado e depois condenado por seus súditos, instrumentalizado e depois abandonado pelos americanos, o último xá do Irã, Mohamed Reza Pahlavi, obrigado a se exilar em 1979 depois de 37 anos de reinado, não sobreviveu à sua obsessão de se tornar o Dario dos tempos modernos. Ao longo dos meses que antecederam à fuga do último xá do Irã e o colapso de 25 séculos de monarquia viu crescer o fervor popular que levaria seu país para a Revolução Islâmica.

Nascido em 26 de outubro de 1919, educado em Genebra e nomeado coronel no Exército imperial aos 12 anos, o tímido Reza Pahlavi viveu atormentado pelo temor de ser inferior a seu pai, o xá Reza Khan Pahlavi, um soldado transformado em um rei reformador e autocrata.

O Irã era um país onde se misturavam a miséria do povo e o luxo da elite quando Reza se tornou o governante, com apenas 22 anos. O autocrata reinou de maneira absoluta sobre desertos cheios de petróleo e gás. Dominou a região com seu Exército, o mais forte do Oriente Médio, e se tornou o monarca absoluto do segundo maior país exportador de petróleo.

Casou-se 3 vezes. A primeira mulher, a princesa Fawzia Fuad era irmã do rei do Egito, a segunda, a rainha Soraya lembrava a atriz Ava Gardner. Se divorciou das duas pela impossibilidade de conceber um herdeiro. Finalmente casou-se pela terceira vez com a imperatriz Farah Diba, com quem teve 4 filhos.Farah Diba and Mohammad Reza Shah Pahlavi - YouTube

Desenvolveu uma megalomania alimentada em segredo pelo sonho de imitar a dinastia Aquemênida, os conquistadores persas do século V a.C.. Como Napoleão, Reza Palhevi coroou a si mesmo em 1967 e colocou sobre a cabeça de sua terceira mulher, a rainha Farah Diba, uma coroa cravejada com esmeraldas do tamanho de um ovo. Em Persépolis, cercado de luxo, celebrou os 2.500 anos da monarquia persa.

Suas reformas sociais inspiradas no Ocidente provocaram a ira dos líderes religiosos. Queria um país moderno onde existisse igualdade entre homens e mulheres. Liberou o uso obrigatório da burca, permitiu a mini saia, as discotecas e a bebida alcoólica. Mas o país, com leis islâmicas rígidas profundamente arraigadas na sociedade, não estava preparado para tanta modernidade.

Criou um partido único e sufocou a resistência graças à “Savak” sua temida polícia secreta, atitudes que lhe valeram a reputação de tirano. Apesar do governo violento e autoritário os mulás xiitas conseguiram se organizar em uma forte oposição, alimentada do Iraque pelo aiatolá Khomeini.

Os jogos da corte e as luxuosas recepções continuaram apesar da crescente insatisfação com o seu governo até que, em 1978, as províncias e depois Teerã se rebelaram. O xá ficou sem energia diante de uma oposição cada vez mais forte. Esse grupo formado por islamistas radicais opostos ao quietismo do clérigo tradicional, estudantes de esquerda inspirados nos movimentos anticolonialistas ao redor do mundo, assim como republicanos, liberais e laicos, herdeiros políticos de Mossadegh, finalmente se impõe. Vencido, o último xá do Irã fugiu de Teerã em 16 de janeiro de 1979.

Sua saída permite, então, o retorno triunfante, em 1º de fevereiro, do aiatolá Ruhollah Khomeini, procedente da França, e a vitória da Revolução Islâmica. Mais tarde, seu séquito considerou que o xá  imbuído de sua “divindade”,  rígido, profundamente introvertido e incapaz de qualquer autocrítica, não conseguiu se manter no poder.

O xá do Irã, que sonhava em transformar seu país na quinta potência mundial no ano 2000, faleceu no Cairo, apátrida, falido e sozinho, em 27 de julho de 1980. Morreu de câncer depois de 18 meses da fuga de sua terra natal, durante os quais “perambulou” pelo mundo atrás de asilo.

Em Persepolis a comemoração dos 2500 anos da monarquia persa.

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Foi uma festa impressionante. Gastos estratosféricos foram feitos para que nada saísse menos do que perfeito. O dinheiro não era obstáculo. Um novo aeroporto internacional e 80 km de estrada foram construídos para o evento. Na chegada, palmeiras ladeavam alguns quilômetros do caminho. Uma luxuosa cidade de tendas recobertas de seda foi erguida para abrigar os convidados do mundo todo. Os mais importantes lideres mundiais, reis, rainhas, presidentes e primeiro ministros compareceram à festa. Um oásis foi construído no meio do deserto com milhares de árvores, flores e até 50 mil pássaros importados da Europa. O famoso restaurante Maxim’s de Paris fechou suas portas durante 2 semanas para preparar as refeições e foram contratados garçons e maitres do luxuoso Badrutt’s Palace Hotel de Saint Moritz para servir os convidados. Aviões militares iranianos transportaram 18 toneladas de comida de Paris. Os mais raros vinhos e até blocos de gelo chegavam por avião. Tudo, exceto o caviar do Iran, foi trazido da Europa.  

Em um país onde a maior parte da população vivia na pobreza uma comemoração desse porte certamente não foi apropriada. A festa foi mais um fator negativo para um já desgastado governo e assim como na revolução francesa, o povo se rebelou e o rei foi derrubado. A história sempre de repete.

Palácio Golestan

O Palácio Golestan em Teerã é um dos monumentos mais lindos do Irã. Este palácio é um bom exemplo da arte, história e arquitetura persas. 

O magnífico Palácio do Golestan, em Teerã, foi sede da família Qajar que chegou ao poder em 1779 e é um dos mais antigos monumentos históricos de Teerã, pertencendo a um complexo de edifícios reais localizados no interior da antiga cidadela histórica da capital iraniana. Atualmente é um museu histórico, Patrimônio da Humanidade desde 2013. São nove edificações diferentes com entradas independentes, revestidas com bonitos azulejos decorados e rodeados por um elegante jardim. 

O terraço Takht-e Marmar (varanda do trono de mármore) é decorado com elementos iranianos, como azulejos, espelho, estuque, janelas de treliça e pinturas. O trono de mármore no terraço é feito do famoso mármore amarelo vindo da província de Yazd.

O aspecto luxuoso se destaca no magnífico “salão dos espelhos”, o ponto alto da visita.

Espelhos, grandes e pequenos, formando delicados trabalhos artísticos, todos refletindo a iluminação proveniente dos magníficos candelabros de cristal e a decoração luxuosa, com certeza era utilizado para impressionar delegações estrangeiras. A sensação é de opulência e fartura. Espelhos eram muito caros na antiguidade e raros de serem vistos com esta profusão.

* veja mais sobre essa festa em Persépolis no documentário da BBC – https://www.youtube.com/watch?v=fDhGPYWfKFU

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