Viagem para a Islândia: o roteiro completo

por Ana Guimarães

Começamos a nossa viagem na Suíça com a low cost easy jet, que tem voos diretos de Basel e Genebra nas quartas e sábados. Os voos saem do fim da primavera até o começo do outono. Não tem voo durante o inverno para Reykjavik. Não só pelo preço, mas foi a maneira mais rápida de chegar até à Islândia partindo da Suíça, onde moramos. Não foi uma viajem barata, mas os preços não são diferentes dos praticados na Suíça. Dormimos duas noites em Reykjavik, no hotel Fosshotel Baron em quarto triplo, com café da manhã incluído (excelente). Ótima localização.
Primeiro dia fizemos o Golden Circle e voltamos para Reykjavik. Fizemos por nossa conta, mas tem muitas excursões partindo de Reykjavik que fazem esse passeio. Primeira parada foi o Thingvellir National Park, com destaque para as placas tectônicas. Para os mais corajosos, existe a possibilidade de mergulhar entre elas. A segunda parada foi o Geyser. Foi na área do Geyser onde encontramos a melhor estrutura de restaurantes, lanchonetes, lojas e banheiros. Portanto, se for possível, almocem por lá. Depois seguimos para Gullfoss, uma belíssima cachoeira, mas não impressiona quem já foi em Foz do Iguaçu. E a última parada foi uma cratera linda com um lago azul dentro chamada Kerio. É possível andar em volta e descer até o lago. Fizemos os dois.
Para ter uma ideia do tempo que gastamos, saímos do hotel por volta de 8:30 da manhã e voltamos por volta de 18:00. Não deu para visitar Reykjavik (só no último dia conseguimos), mas jantamos no maravilhoso 3 Frakkar. Meu marido pediu um prato com bacalhau e achou muito diferente dos de Portugal e muito melhor. O peixe é fresco. Foi, empatando com o jantar de Höfn, o melhor da viagem. Super recomendo.
Depois do Golden Circle começamos para valer a volta na Islândia saindo de Reykjavik até o hotel Fosshotel Núpar. Seguimos pela N1 e paramos na cachoeira Seljalandsfoss. Para mim foi a mais bonita de todas. Aliás, nunca vi um lugar com tantas quedas d’água como a Islândia  (e olha que sou mineira criada perto de Carrancas, região de muitas cachoeiras). Ela tem uma trilha que passa por detrás dela e ver a queda de outro ângulo foi muito interessante, apesar de sair molhada. A segunda parada foi outra cachoeira, a Skogafoss, famosa por ter sempre um arco íris em frente à ela. O tempo estava chuvoso e não vimos o arco íris. Existe a possibilidade de subir até o alto e vê-la de cima. Uma escadaria nos leva até lá, porém a chuva estava forte e a preguiça de enfrentá-la mais forte ainda. Então aproveitamos para almoçar em um dos restaurantes do local.

 

Thingvellir National Park [Foto: Wikimedia Commons]

Seguimos em direção à praia de areia preta. Mas antes paramos para ver um avião americano que fez um pouso forçado em 1973 e ficou abandonado no meio do nada. Para chegar até ele foi preciso andar 4 km na ida e 4 na volta em um terreno plano, cheio de pedras e areia preta. Estava chovendo e fomos assim mesmo. Se valeu a pena o esforço? Valeu muito! O visual é muito louco e o tempo fechado contribuiu para a atmosfera apocalíptica das fotos. Para chegar até lá colocamos no waze “dc-3 plane wreckage parking” e chegamos sem problemas. Depois seguimos para a praia de areias negras onde tem uma caverna e um paredão com rochas de basalto, onde vimos o pôr do sol. Neste dia tivemos que cortar o último passeio pois já estava escuro. Seria o Fjadrargljufur, um cânion que pelas imagens é muito lindo. Se não tivéssemos chegado ao avião ou saído mais cedo do hotel ou passado a noite próximo a primeira atração, seria possível. Mas ficará para a próxima. Fomos para o hotel (Foss Hotel Núpar)  e no caminho vimos a Aurora boreal.

 

Entre o hotel Foss Nupar e o próximo, já no leste da Islândia, fizemos os seguintes passeios: primeira parada foi no Skaftafell National Park. De lá saem as caminhadas pela geleira e é onde fica localizada a cachoeira que serviu de inspiração para a fachada da Igreja em Reykjavik. A intenção era  fazer a caminhada na geleira, mas o dia estava fantástico, ensolarado e foi o único dia que sentimos calor. Então a procura por esse passeio (que deve ser feito em grupo, com equipamentos especiais e contratado por empresas especializadas) foi enorme e só conseguimos vaga no último grupo que sairia somente 3:30 da tarde (vimos duas empresas na entrada do parque). Ainda era manhã quando chegamos ao parque e se optássemos pela geleira, perderíamos o lago. Então fizemos a caminhada até a cachoeira pela trilha mais longa (1 hora de ida e uma de volta), mas existe a trilha mais curta de 40 minutos. E depois seguimos para o lago Jökulsárlón para o passeio de barco anfíbio entre os blocos da geleira, onde vimos o pôr do sol. Maravilhoso! Não é possível fazer esse passeio no inverno e costumam cancelar se houver muito vento. Antes porém, paramos na Diamond Beach que fica exatamente em frente ao lago, do outro lado da rodovia. É lá, no meio da areia preta, que os blocos de gelo derretem. A paisagem é de tirar o fôlego.
Seguimos para o Höfn onde jantamos lagostim no restaurante kaffi Hornid. Outro jantar delicioso. Höfn também serve de base para as caminhadas na geleira e era nossa intenção ter passado a noite lá. A cidadezinha é a mais estruturada que vimos depois de Reykjavik  e Akureyri, no norte. Mas não encontramos opções que atendessem os nossos requisitos de quarto triplo e banheiro privado. Tem muitos hotéis lá, mas estavam todos cheios. Pelo menos os que tinham quarto triplo ou opção de cama extra. Aliás, de Reykjavik até lá achei tudo bem cheio e movimentado para a época. A partir de Höfn os lugares estavam bem mais vazios. De lá seguimos para o hotel em Breiddalvisk e vimos de novo a Aurora Boreal, desta vez, mais forte que o dia anterior. Reparei alguns barcos no caminho, no mar. E quando cheguei ao hotel na costa leste, soube que empresas organizam caça à Aurora Boreal em barcos. Deve ser interessante.

 

Lago Jökulsárlón [Foto: Wikimedia Commons]

 

Saímos do hotel em direção ao Norte da Islândia, mas fizemos um desvio para conhecer um vilarejo chamado Seydisfjordur, que dizem ser o mais bonitinho da costa leste. Neste trecho o Waze nos mandou para uma estrada que não era a N1. Não me lembro qual o número, mas ela contornava a costa. E depois seguimos direto para o Lago Myvatn onde passamos a noite.
Foi o trecho mais vazio de toda a rota. Não me lembro de ter visto postos de gasolina e nem lojas de conveniência depois do vilarejo de Egilsstadir. Portanto, tem que encher o tanque. Os ventos são fortíssimos. Dava para sentir o carro balançar e foi onde pegamos a primeira tempestade de vento e areia.
Tínhamos a opção de seguir para o extremo norte até a Húsavik, para fazer o passeio de observação das baleias, passando pela Deltafoss e pelo Argybi Canyon, mas como o tempo foi curto, optamos por ficar na região do Lago Myvatn. E foi a melhor escolha, pois foi a nossa parte preferida da viagem. Existem muitas atrações na região do lago e elas são perto umas das outras. Num mundo ideal com mais tempo de viagem, ficaria 2 noites no lago e faria esta parte com mais calma, aproveitaria a piscina, lavaria umas roupas, etc. Mas o que fizemos foi o descrito abaixo:

 

Para quem vem do leste, a primeira parada é em uma cratera chamada Viti. Parecida com a Kerio, que fica no círculo dourado, porem um pouco maior. Para chegar até ela passamos por uma usina geotérmica que cheirava a ovo podre ( aliás muitos lugares cheiram a ovo podre devido ao enxofre, incluindo a água) e ao lado da Viti tinha uma outra cratera.
A segunda parada para mim foi o lugar mais impressionante: Hverir. Fumarolas por todos os lados e um cenário surreal. Ali realmente me senti em outro planeta.
Depois passamos na versão do Norte da Blue Lagoon, o Myvatn Nature Bath só para conhecer a piscina e chegamos ao hotel mais cedo do que o previsto. Por volta de 19:00. Dormimos no lago e no dia seguinte aproveitamos para conhecer as outras atrações do lago seguindo em direção à Akureyri.
Ainda sobre a região norte e o Lago Myvatn, deixamos o hotel por volta de 9 da manhã a fim de visitar as outras atrações. A primeira delas foi o vulcão Hverfjall. É possível subir até o topo do vulcão. E foi lá onde passamos o maior perrengue da viagem. Fomos pegos de surpresa por uma tempestade de vento e areia e tivemos que sentar no chão para não sermos arrastados cratera abaixo. Tive muito medo e ficamos com a cara preta de areia vulcânica, como se tivéssemos passado carvão no rosto. O cabelo eu nem vou comentar… fiquei uma hora no banheiro da área do vulcão tentando consertar o estrago.
Passado o susto, continuamos o caminho para um parque com esculturas formadas pelas lavas. Chama-se Dimmuborgir. Reza a lenda que os papais noéis da Islândia moram neste parque. Próximo ao parque, dentro do lago, uma área com outras esculturas de lava, e depois seguimos em torno do lago onde tem umas falsas crateras chamada Skutustadagigar. De lá fomos para Akureyri e no caminho  visitamos outra cachoeira, a Godafoss. Almoçamos por volta de 3 da tarde em Akureyri em um restaurante chamado Fish and Chips porque este servia fora do horário normal. Bem gostosinho. Saímos anoitecendo de Akureyri e perdemos umas duas horas do visual da estrada da costa oeste até o nosso hotel no meio do nada.

 

Cachoeira Godafoss [Foto: Wikimedia Commons]

 

Aqui começa nosso último trecho antes de completarmos a volta pela Islândia. Não tenho muito o que contar pois fomos direto para Reykjavik. Inicialmente, tínhamos planejado uma parada em uma outra área geotérmica, onde é possível cozinhar ovos na água quente que brota do chão. Também não conhecemos nem um dos lugares nos fiordes do Oeste, mas isso a gente já sabia que não ia dar desde que planejamos a viagem.

 

Optamos por seguir porque não conseguimos visitar a cidade como planejamos nos dois primeiros dias. Mas preciso comentar do lugar que passamos essa penúltima noite. Me pareceu uma casa de fazenda adaptada para receber os hóspedes. Nosso quarto triplo tinha banheiros, mas a maioria não tem. Chegamos por volta de 8 da noite e fomos recebidos por dois cães. Isso mesmo! Dois cachorros e mais ninguém na casa. Portas abertas e um bilhete em meu nome dando as coordenadas do quarto, informações sobre o café da manhã e horário de funcionamento do restaurante mais próximo (a 8 km de distancia). Uma garrafa de café, chá e biscoitos no corredor, decoração kitsch com animais empalhados por todo lugar e um silêncio de dar medo. Fiquei aliviada quando vi na sala um  casal de hóspedes. Rs! No mínimo muito diferente essa recepção. Vi que o hotel oferecia passeios à cavalo (acho que era uma das fazendas de criação dos famosos cavalos islandeses) mas não me informei. Só vi o dono da casa no dia seguinte preparando o café da manhã. Seguimos para Reykjavik, visitamos a cidade e dormimos no hotel Base (o único da viagem que não oferecia café da manhã, mas com um bar muito charmoso e movimentado a noite) próximo ao aeroporto, pois a intenção era passar a manhã na Blue Lagoon antes do nosso voo no fim do dia.

E assim encerro o relato esperando ter ajudado e me colocando à disposição para responder as perguntas.

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[Foto em destaque: Heather R.]

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