Conceito de “pós-luxo”, já ouviram falar?

Foi tudo muito rápido. Operei meu olho que não parava de lacrimejar e tive de ficar um mês quieta, de castigo, em casa. Meu namorado, que mora em Nova York resolveu vir me visitar e, como eu não poderia viajar de avião, resolvemos ficar por aqui. Queria algo para descansar e que fosse fácil e perto, já que ele tinha poucos dias e eu não podia fazer grandes esforços.

Vários amigos tinham indicado esse hotel e eu resolvi apostar. Reservei o Hotel Botanique em Campos do Jordão, que pelo site e pelas fotos, tinha uma proposta diferenciada: o conceito de “pós-luxo”. Alguém conhece?

Pois eu não. E fiquei curiosa.

O preço, mais do que exorbitante, deveria estar relacionado a isso, mas insisti assim mesmo e fizemos a reserva para 5 noites (terça a domingo) de uma semana absolutamente normal, na baixíssima temporada. Custo?  R$13.768,00.

Sim, isso mesmo!!! Mas, tudo bem, lá fomos nós…

A primeira surpresa foi quanto ao mapa que nos mandaram. Muito mal sinalizado. Depois de várias e várias tentativas de entrar em contato com o hotel (ninguém atendia ao telefone) descobrimos que estávamos perdidos. Tivemos que voltar pelo menos uma hora de viagem. Ok, acontece…

Chegamos!! A estradinha da chegada é linda, um charme mesmo. A primeira impressão é demais! Deixamos o carro na entrada e seguimos em um carrinho de golfe.  Fomos conhecer todo o hotel, a sala de cinema (para casais!!!), Spa, jardins etc. O visual é estonteante!

A primeira estranheza….não existe uma recepção na entrada do hotel. Ah sim, esse deve ser o conceito de “pós-luxo”… Fomos levados ao quarto e escutamos uma explicação rápida de como tudo funciona.

Assim que nos instalamos resolvemos pedir algo para comer no quarto. Qual é o número da “recepção” mesmo? Com quem a gente fala? Ficamos perdidos, pois nem no folheto do hotel havia alguma indicação.

Finalmente descobrimos como ligar. Ufa! Só que não! Tocou, tocou, tocou e nunca atendeu. Ainda bem que eu tinha comprado no caminho uns biscoitos de polvilho, que Alan chama carinhosamente de “dog food”. E nos viramos com isso até o horário de jantar.

O restaurante, vazio por sinal, é lindo. Todo envidraçado. Vista deslumbrante!

Como eu e Alan temos intolerâncias alimentares (eu não como glúten e ele não come nada que contenha lactose) tive a preocupação de avisar  ao hotel no momento da reserva.

O menu possuía três opções de pratos. Todos com lactose e/ou glúten. Expliquei nossas intolerâncias e pedi outras opções. Que dificuldade! Acabamos comendo salada e sopa de mandioquinha. Alan conseguiu um spaghetti ao molho de tomate, que chegou frio à mesa. Paciência.

Voltamos para o quarto e a surpresa do “pós-luxo”continuava. Havia um papel para marcar o que gostaríamos de comer no café da manhã. Eu achei diferente e divertido. Alan, como bom americano, desconfiou. Comecei a preencher e não consegui passar do café e suco de laranja… Todas as outras opções, que não eram tantas assim, tinham glúten ou lactose. Quanto às frutas,somente 3 opções. Por que será? Acabei pedindo um pão sem glúten ou torrada.

Eis que veio o café da manhã… Uma omelete gelada, duas torradas de um pão sem glúten com gosto de nada. Um suco de laranja e uma térmica com café frio. Cadê o luxo??

À noite, optamos por pedir no quarto. Foi um pouco pior pois o menu do room service era realmente limitado. Pedi um sorvete. Não tinha.

Isso quando a gente conseguia falar com alguém. O que era raro. Pós luxo é assim!!!

No terceiro dia fomos andar de bicicleta e descobrimos um empório no meio do caminho. Empório dos Mellos, que é uma graça. Eles tiveram uma super sacada. Fizeram um lugar descolado, mas bem simples, com um menu variado e agradável. Não deu outra, paramos ali para almoçar e amamos. Frango com quiabo, arroz com feijão e bolinho de mandioca e carne seca. Amamos. E tudo por R$90,00.

Voltamos felizes para o hotel. Reservamos uma massagem para cada um. Amamos. Foram ótimas. Nada a reclamar. Pedimos a sala dupla. Delícia! Falta um pouco de mimo para o hospede na pós-massagem, mas deu para relevar.

Voltamos para o quarto e pedi um chá. Ou melhor, tentei. O telefone, dessa vez estava ocupado.

Dia 4. Acordei cedo e resolvi ler o folheto do hotel e tentar entender um pouco mais do que se trata o pós-luxo. Afinal, estava pagando caro por ele e até aquele momento quase não tínhamos comido nada no hotel.  Não tínhamos conseguido sequer tomar um chá no quarto. Resolvi reclamar e falei com quem encontrei lá embaixo que estava me sentindo infeliz, pagando aquela fortuna e indo para a cama com fome e insatisfeita com o serviço, já que o conceito pós-luxo não me permite falar com ninguém no hotel.

A funcionária quis nos dar uma massagem de graça para compensar. Uma das proprietárias veio falar comigo e disse tudo o que estava fazendo da nossa estadia um desastre. Ela falou que iria averiguar. Para minha surpresa, no outro dia, enquanto fazíamos o check-out, foi comunicado que não pagaríamos nada além do vinho e das massagens. Pediram desculpas e admitiram problemas nos serviços prestados.

Enfim, fica a dica. O Botanique é lindo, mas vá preparado com algum lanche extra. Se você tem alguma intolerância, leve sua própria comida e leve junto muita paciência e bom humor para que eles respondam o telefone quando você chamar. Espero que nossa estada lá tenha servido para eles melhorarem e aperfeiçoarem o serviço.

Mas, para não dizer que não gostamos de nada, a banheira é simplesmente o máximo. Amamos! A varanda também é ótima e o hotel uma beleza.

Mas, o que mais gostamos, mesmo, foi o Empório dos Mellos. Aquele bistrô aconchegante, no meio do nada, onde o cachorro do dono se enrosca no seu pé e não sai mais.

Aquilo sim é “pós-luxo”!

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